EDP Vilar de Mouros 2020

BAUHAUS


Quando em 2019 os Bauhaus anunciaram que voltariam a tocar ao vivo, depois de 13 anos de separação, as águas agitaram-se de tal forma que a torrente chegou em força a Portugal. Ao EDP Vilar de Mouros, a banda britânica vem mostrar o porquê de ser um dos símbolos mais sólidos daquele rock sombrio do post-punk , decadente e simultaneamente romântico, que faz do minimalismo, dos acordes e dedilhados irregulares das guitarras e dos sintetizadores oníricos a sua indelével impressão digital.

Tão disruptiva foi a sonoridade dos Bauhaus quando apareceram em 1979 com o hino imortal do rock gótico Bela Lugosi’s Dead e tão profunda é a sua marca que os estilhaços provocados por esta epifania musical, inspirada na corrente artística alemã do início do séc. XX a quem tomaram de empréstimo o nome, se sentem de forma tão eclética em artistas desde Marilyn Manson a Moby, de Nine Inch Nails ao aclamado DJ americano Carl Craig, dos The Cult a Ariel Pink.

Na sua cartilha discográfica, manifesto de estilo e intemporalidade, títulos como In The Flat Field, o primeiro álbum de originais lançado em 1980, The Mask (1981), o seu aclamado sucessor, ou mesmo o último Go Away White (2008), apresentado no ano em que a banda se separou pela última vez – já tinha acontecido em 1983 com reuniões pontuais em 1998 e 2005 – são a expressão máxima de uma obra complexa que tanto nos atira para as catacumbas da humanidade como nos eleva para uma transcendência sem nome.

No concerto do EDP Vilar de Mouros espera-se não menos do que a catarse geral ao som de clássicos como Bela Lugosi’s Dead, God in an Alcove, Kick in the Eye ou She’s In Parties.