EDP Vilar de Mouros 2020

THE LEGENDARY TIGERMAN


Não faltam adjetivos para qualificar a relação de amor de Paulo Furtado com o público português. Vestido de one-man-band e sob a pele de The Legendary Tigerman, nome que cruza a admiração pelo artista Legendary Stardust Cowboy e pela canção Tiger Man de Rufus Thomas, Furtado resgata o blues cantado nas margens do Mississipi nos inícios do século XX para a contemporaneidade com um rasgo sublime.

As primeiras cartadas, Naked Blues (2001), Fuck Christmas, I Got the Blues (2003) e Masquerade (2006), mostraram logo o génio de Tigerman em criar ambientes sonoros muito próprios, apoiados numa cuidada estética cinematográfica a dar vida a personagens lendárias e histórias de almas roubadas pelo Diabo.

Seguiu-se Femina (2009) e a explosão de Paulo Furtado aquém e além-fronteiras. O álbum, que foi Disco do Ano e atingiu a marca da Platina em Portugal, balança entre a líbido e a sensibilidade e explora o universo feminino através das participações de Asia Argento, Peaches, Lisa Kekaula, Becky Lee, Phoebe Killdeer, Cibelle, Maria de Medeiros, Rita Redshoes, Claúdia Efe, Mafalda Nascimento e Cais Sodré Cabaret. Cada qual, ao lado de Tigerman, amplia o léxico musical deste one-man-band que entrou diretamente para os melhores do ano de publicações como o El País (Espanha) ou Les Inrockuptibles (França).

Assim, quando True chega em 2014, já Portugal, a Europa e o Mundo estão rendidos a Tigerman. O quinto álbum de estúdio, mais escuro e denso que os anteriores, levou-o numa digressão mundial que praticamente atingiu a marca dos cem concertos.

Não querendo estagnar por aqui, e sem medo de arriscar, é já em 2018 que o lendário homem tigre abandona o formato one-man-band para juntar à sua apurada musicalidade dois nomes de peso: ao lado do saxofone barítono de João Cabrita e da bateria de Paulo Segadães, outros dois animais de palco, The Legendary Tigerman refugia-se no mítico estúdio Rancho de La Luna, na Califórnia, para gravar MISFIT. O disco foi co-produzido e misturado por Johnny Hostile, que trabalha regularmente com as Savages, enquanto a masterização ficou por conta de John Davis (Nick Cave, Royal Blood, Led Zeppelin).

O concerto no EDP Vilar de Mouros irá atravessar todos estes imaginários e formatos, num momento que se espera mítico e que marcará vinte anos de carreira do homem tigre.